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Baquete: definição, conceitos e lesões








A regra no 1 define o basquetebol como "um esporte jogado por duas equipes de cinco jogadores cada, e cada equipe tem como objetivo jogar a bola dentro da cesta do adversário e evitar que a outra equipe tenha o controle da bola e faça pontos" (FPB, 2002, pg.3).

De acordo com FERREIRA & DE ROSE JR. (2003), o basquetebol é composto por algumas habilidades especificas, representadas pelos fundamentos do jogo. Os fundamentos de forma combinada geram situações individuais e coletivas que requerem uma maior organização e sincronização de movimentos (situações de um contra um, dois contra dois... cinco contra cinco). Para a execução correta dos fundamentos e a realização das ações do jogo são utilizadas as três formas básicas de movimentos: correr, saltar e lançar. A execução correta dos fundamentos e das ações individuais e coletivas por eles geradas exigem do praticante o domínio de parâmetros físicos, motores, técnicos e táticos, além de grande dose de cognição para entendimento da realização de todas essas ações no contexto do jogo.

O basquetebol baseia-se em três capacidades físicas condicionantes: força, resistência e velocidade (BARBANTI, 1996).

Esse autor identifica três tipos de força:


Força de salto - utilizada nos rebotes e "jump" (arremesso realizado no ponto mais alto do salto).


Força de "sprint" - nas situações de deslocamentos constantes, acelerações e mudanças de ritmo.


Força de resistência - condição necessária para a manutenção da qualidade dos gestos técnicos durante o jogo.

A resistência geral ou aeróbia está presente para garantir a manutenção do estado básico do atleta e também uma melhor recuperação dos esforços de uma partida. Já a resistência anaeróbia é responsável pela execução eficiente dos movimentos de grande intensidade como as mudanças de ritmo, paradas bruscas e saídas rápidas, tão presentes nesse esporte.

A velocidade está relacionada à capacidade de deslocamento dos atletas. Deve-se ressaltar que esses deslocamentos acontecem em pequenos espaços, exigindo respostas rápidas aos estímulos do jogo.

Considera-se também o equilíbrio que é fundamental para a retomada do contato com o solo nas situações de arremessos e rebotes.

Alguns estudos mostram as relações funcionais dessas capacidades condicionantes em jogos de basquetebol. As distâncias percorridas pelos jogadores durante jogos de basquetebol variam de 4000m a 6000m. Já os saltos variam, em média, de 30 a 65, dependendo da posição. Neste caso, os pivôs são os que mais saltam devido a sua função especifica de obter rebotes, o que leva a repetidos saltos em curtos espaços de tempo. Além disso, o basquetebol é um jogo baseado em ações rápidas e de alta intensidade. A maioria delas (51%) ocorre entre 1,5s e 2,0s. Somente 5% dessas ações ocorrem acima dos 4,0s (BERTORELLO, 2003; BRANDÃO, 1992; JANEIRA & MAIA, 1998; KOKUBUN & DANIEL, 1992; McINNES, CARLSON, JONES & McKENNA, 1995; TEODORESCU, 1984; TRICOLI, BARBANTI & SHINZATO, 1994).

Por esses motivos, o basquetebol é um esporte que exige muito mais dos membros inferiores (MMII) do que de qualquer outro segmento corporal.

Apesar do basquetebol não ser considerado um esporte violento, as dimensões exíguas da quadra e o número de jogadores em disputa, movimentando-se velozmente, provocam freqüentes contatos corporais, o que pode causar os mais diversos tipos de lesões.

Segundo DE ROSE JR. (1999), atletas de alto nível (mundial e olímpico) entendem que as lesões são um dos principais fatores de stress, pois podem representar afastamento das atividades por longos períodos, tratamentos que exigem muito sacrifício físico e psicológico e, em alguns casos, o encerramento precoce da carreira.


Estudos sobre lesões no basquetebol

Serão mostrados a seguir estudos nacionais e internacionais sobre lesões especificas no basquetebol. DE LOES, DAHLSTEDT & THOMEE (2000) em uma analise de lesões de 12 diferentes esportes constataram que o basquetebol, juntamente com hóquei no gelo, handebol e esqui, é uma das modalidades esportivas com maior incidência de lesões no joelho. Nos homens elas ocorrem em 10% dos casos e nas mulheres em 13%.

Observando jogos de basquetebol de diferentes idades em ambos os sexos, MCKAY, GOLDIE, PAYNE & OAKES (2001) constataram que as lesões de tornozelo foram as mais frequentes, sendo que em 45% dos casos elas ocorreram na fase de aterrisagem após arremessos e rebotes. Nesse estudo os autores também constataram um grande número de lesões na panturrilha e no joelho.

O joelho (21%), mãos e dedos (17%), perna/coxa e tornozelos (14% cada) foram os locais mais lesionados em 66 atletas de cinco equipes femininas do estado de São Paulo. Das atletas analisadas, com idades entre 18 e 37 anos, 47 (71%) apontaram pelo menos uma lesão. A lesão mais comum nesse grupo foi entorse de tornozelo (33%). Este estudo foi realizado por SILVA (2002).

GANTUS & ASSUMPÇÃO (2002) entrevistaram 59 atletas de sete equipes masculinas adultas do estado de São Paulo, com idade variando entre 18 e 39 anos e concluíram que as entorses de tornozelo foram as mais freqüentes seguidas por tendinites patelares, ferimentos nos supercílios e lábios e contusão na coxa. Nos armadores a região mais acometida foi o tornozelo, nos laterais a face, e nos pivôs a face, as mãos e os dedos.

Dentre as lesões nos membros superiores no basquetebol, as lesões articulares nas mãos e dedos (por ocasião de traumas diretos com a bola) são as mais freqüentes, sendo cerca de 75% dos casos de luxação e de 96% dos casos de fraturas em diversos estudos (ANDREOLI, WAJCHENBERG & PERRONI, 2003).

Citando um estudo realizado por Pedro Marqueta e Luis Tarreiro, MENEZES (2003) afirma que os membros inferiores foram os mais lesionados na Liga Espanhola de basquetebol (46%) e na NBA (57%). A maior incidência dessas lesões ocorreu no tornozelo (entorse) seguidas por lesões no joelho (entorse e tendinite patelar). As luxações nos dedos das mãos também apareceram com muita freqüência na amostra estudada.

No campeonato universitário canadense MEEUWISSE, SELLMER & HAGEL (2003) constataram que 142 dos 318 atletas participantes apresentaram algum tipo de lesão (44,7%). As mais comuns foram às lesões de joelho e tornozelo. O mecanismo de lesão mais comum foi o contato entre os jogadores, sendo que o maior número de lesões ocorreu nos pivôs.

MOREIRA, GENTIL & OLIVEIRA (2003), em estudo com a seleção brasileira de basquetebol masculino na fase preparatória para o campeonato mundial de 2002, concluíram que a maior incidência de lesões ocorreu nos membros inferiores com destaque para entorse no tornozelo. As contusões nas mãos, estiramentos na região adutora e perna, lombalgia, e tendinite patelar, também foram identificadas. Os pivôs foram os atletas que mais relataram queixas seguidos dos laterais e armadores.

DANE, CAN, GURSOY & EZIRMIK (2004), estudando 329 homens e 120 mulheres (de 17 a 28 anos) não encontraram diferenças na porcentagem de lesões entre homens e mulheres. O basquetebol, dentre os esportes estudados, foi o que apresentou o maior número de lesões, principalmente entorses de tornozelo. O mesmo tipo de lesão também foi predominante no voleibol, futebol e nas corridas.

Analisando os resultados dos estudos apresentados, constata-se que, no basquetebol, os membros inferiores são os mais acometidos por lesões, com destaque para entorses de tornozelo. As mudanças bruscas de direção, saltos e contato direto com outros atletas parecem ser as causas mais comuns para que elas ocorram. No caso do joelho, os entorses e as tendinites patelares foram as lesões mais freqüentes, assim como as luxações nos dedos das mãos.

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