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As demandas energéticas no Basquetebol





    Quanto às Influências sobre as demandas energéticas, o basquetebol requer um fornecimento - misto - de energia, onde a própria combinação dos esforços permite o envolvimento das três vias metabólicas concomitantes, mas, com predomínio de uma sobre as outras; sendo esta, a que derivada do trabalho - intermitente - e que resulta nos ganhos afetos às possibilidades de menor fadiga e permite uma maior intensidade de exercício durante os períodos ativos.

    Está, portanto, nas diversas formas de - trabalho intermitente - a saída para se treinar as três vias metabólicas de produção de energia, uma vez que elas estão intimamente ligadas e atuam simultaneamente durante a atividade. Dependendo da intensidade do exercício e da combinação entre esforços e pausas, é possível sobrecarregar mais um mecanismo que os outros.

    No Basquetebol, apesar das movimentações serem complexas para a análise das variáveis fisiológicas, por apresentarem várias combinações, com e sem o domínio de bola, ao se observá-las, é possível verificar a presença de movimentações de altas, médias e baixas intensidades, sendo freqüentes a realização de sprints, a exemplo dos contra-ataques, caracterizados como movimentos de alta intensidade. Em ataques organizados, por exemplo, os jogadores realizam movimentações de média e baixa intensidade.

    Portanto, o Basquetebol apresenta uma formação "mista" de energia, com predomínio de movimentos intermitentes, onde o conhecimento dessas apresenta grande significado para o preparador físico, pois as mesmas podem influenciar na técnica dos jogadores e na tática das equipes.

    Assim, os sistemas energéticos predominantes do Basquetebol são 80% oriundos dos sistemas dos fosfatos de alta energia, ou do sistema ATP/CP (Adenosina Tri Fosfato/Creatina Fosfato), tanto no que diz respeito à sua primeira fase, quando os ATP's são oriundos dos estoques musculares, bem como da segunda fase, que após seu esgotamento, são ressintetizados através de moléculas de CP, que ressintetizam os ADP's (Adenosina Di Fosfato) em novas moléculas de ATP.

    Os outros 20% restantes subdividem-se entre o segundo sistema de transferência de energia - glicólise anaeróbia - de onde se extrai os ATP's através da degradação de moléculas de glicose, sem a utilização do oxigênio; e, o sistema aeróbio propriamente, ou o terceiro sistema, de onde os ATP's são obtidos através da integração dos metabolismos do Ciclo de Krebs (degradação de moléculas de glicose para ácido pirúvico e posteriormente para moléculas de Acetil-Coenzima A, que penetram no ciclo e são convertidas em energia útil), da Cadeia Respiratória, que constitui um processo de fosforilação oxidativa através do transporte de elétrons, que resulta na liberação final de água e de ATP's, e da Usina Metabólica, que funciona através da interconexão dos macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) que se degradam para converterem-se em moléculas de Acetil-CoA e oferecê-las ao ciclo de Krebs para a sua posterior conversão em ATP's (McARDLE; KATCH e KATCH, 2003).

    Portanto, uma vez que boa parte da movimentação dos jogadores envolve esforços bastante intensos e de curta duração, pode-se concluir que a capacidade - anaeróbia alática - tem maior importância para o jogador, por se saber que o Basquetebol é um esporte com períodos curtos de exercícios de alta intensidade, alternados com períodos de repouso ativo e passivo, tornando o metabolismo anaeróbio altamente relevante para a performance.

    No entanto, as outras vias energéticas também possuem importância, a exemplo da anaeróbia láctica, que possibilita a realização de esforços submáximos e de média duração. Essas, também devem ser treinadas, mas com menor ênfase e com esforços que oscilem entre 20 e 60 segundo de duração.

    Outra afirmação que se faz é a de não se pode preterir, totalmente, as vias aeróbias, devendo ser treinada dentro do limiar anaeróbio, o que permitirá um desempenho dos atletas dentro de uma intensidade alta, sem que se propicie o acúmulo, excessivo, de ácido láctico nos músculos, que é um importante limitador do Rendimento.

    No Basquetebol, como há a manipulação de bola, além do deslocamento necessário, e que geralmente inclui corridas, os atletas executam outras atividades que também solicitam energia, tais como as mudanças de direção, as desacelerações, os saltos, os arremessos, as acelerações, as interceptações, as paradas bruscas, os passes, o que impõem maiores demandas fisiológicas ao custo energético da corrida.

    De Rose Júnior e Trícoli (2005) verificaram que durante uma partida, a freqüência cardíaca apresenta-se de forma irregular, com valores que variavam de 160 a 180 batimentos por minuto e que o seu diagrama é bastante excêntrico, devido à constante alteração no ritmo inerente ao jogo, podendo alcançar valores entre 80% e 85% da FCmáx.

    Em paralelo, Volkov (2002) demonstra que 60% dos jogadores de Basquetebol apresentam valores de concentração de lactato acima do limiar anaeróbio, podendo ser encontrados índices entre 9 e 12 mMol, principalmente no segundo tempo de jogo. No entanto, após 8 a 10 minutos do término de uma partida, os valores apresentam-se abaixo de 2 mMol/Kg/m, demonstrando que os atletas dispõem de uma alta capacidade de recuperação (oxidação de ácido lático).

    Portanto, atletas bem treinados dispõem de uma boa capacidade de produzirem, mas, também de tolerarem e eliminarem altos níveis de lactato.

    Esse mesmo alto nível de treinabilidade também os faz apresentar valores de VO2 máx. de aproximadamente 59 ml.kg.min, médios, sendo o bom funcionamento do metabolismo aeróbio quem garante a recuperação das fontes anaeróbias, demonstrando que os jogadores devem ter capacidade aeróbia desenvolvida, apesar da importância do processo anaeróbio, para que possam manter as características da intensidade de esforço durante a partida e possuam uma maior eficiência na remoção do ácido lático.

    A organização e a funcionalidade do jogo também fazem com que a participação ativa durante uma partida não seja igual para todos os jogadores, em função da posição que o mesmo ocupa e da relação existente entre ele e o meio, onde a demanda energética, certamente, é diferente para cada posição assumida por um atleta, bem como para a mesma posição, podendo variar de um jogo para outro, sofrendo influência da movimentação em quadra, do estilo e da estratégia da equipe (OLIVEIRA, 2012a).

    Outro aspecto que contribui para a discussão é alusivo a não existência de restrições quanto ao número de substituições, além das diversas situações em que o jogo é interrompido, e que podem ser consideradas como pausas recuperativas, a exemplo dos pedidos de tempo técnico e etc.

    Portanto, o treinamento objetivando facilitar as adaptações metabólicas exige a participação em programas bem planejados, com vistas a vários fatores, como a freqüência e a duração das sessões de trabalho, tipo de treinamento, velocidade, intensidade, duração e repetição das atividades e intervalos de repouso.

    Sendo assim, o Basquetebol necessita de uma preparação física realizada de forma coletiva e individual, que não deve ser padronizada a todos os jogadores, devendo ser orientada para o desenvolvimento físico que necessita cada posição, uma vez que a organização do jogo exige participação ativa diferenciada, com as posições exigindo características, também, diferenciadas (OLIVEIRA, 2012b).



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