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Preparação física e técnico-tática em jogadores de Basquete






   
No início da especialização, uma preparação física generalizada é de suma importância antes da preparação específica, não havendo necessidade, no caso dos jogos desportivos coletivos- basquetebol de serem realizadas corridas longas. Por outro lado, podem ser desenvolvidas, além das aulas especiais de musculação com pesos adicionais, outras formas de treinamento, aliando os elementos físico e técnico-tático específico de cada modalidade coletiva esportiva. Do ponto de vista pedagógico, destacam-se, na etapa de especialização, os exercícios rigorosamente regulamentados, os quais constituem a base da especialização dos atletas e são apontados como exercícios competitivos, especiais e gerais.

    Os exercícios gerais não apresentam semelhança com os principais gestos realizados nas competições, e, mesmo sabendo, que o desenvolvimento de algumas qualidades não ocorrem isoladamente de outras, os mesmos podem ser desenvolvidos fora do campo de jogo, tanto em uma sessão de treinamento como em um período de preparação.

    Os exercícios especiais abarcam parâmetros muito semelhantes aos da competição. A especialização inicial na modalidade escolhida tem, nos exercícios especiais, o principal meio que condiciona a busca dos resultados desportivos. Assim, os exercícios especiais podem ser aplicados em várias situações na preparação física e também serem desenvolvidos junto com o treinamento dos fundamentos específicos (técnica), e ainda nas situações táticas de 2x2, 2x1, 3x2, inclusive no jogo de cada modalidade desportiva coletiva.

    Os exercícios competitivos são idênticos aos da competição, todavia, nos treinamentos, estes são realizados com base nas regras de cada modalidade. No treinamento do basquetebol, por exemplo, as situações de jogo de 5 contra 5 é caracterizada com uniforme de jogo-treino, árbitro, o tempo pode ser maior do que o da competição, podem ser criadas situações de inferioridade numérica - ex. 6x5 -, a intensidade pode ser maior e o tempo de recuperação entre um jogo ou exercício pode ser menor em relação ao tempo real de competição.

    Greco (1998) define a especialização nos jogos desportivos coletivos como uma fase contínua na evolução do jovem adolescente, iniciando-se aos 15 anos de idade e percorrendo até a fase adulta. Para o ensino, Greco (1998) adota a pedagogia das intenções, na qual as técnicas são trabalhadas em situações representadas por exercícios nos seus parâmetros particulares de execução e aplicação. O autor adota também o método situacional, com situações de jogo de 2x2, 3x3, servindo para o aperfeiçoamento físico e técnico-tático, as quais contribuem para comportamentos táticos posteriores. No aspecto físico, há um aumento gradativo das cargas de treinamento, mas é só na fase adulta que devem aparecer as condições máximas de performance.

    Oliveira (1998) assinala que a etapa de especialização delineia o treinamento na modalidade escolhida e os objetivos devem transcender as atividades desenvolvidas na etapa de iniciação desportiva generalizada, na qual busca-se o movimento mais rápido, mais preciso e mais forte em direção ao nível máximo de perfeição da técnica e tática, sendo cada vez mais apurado o desenvolvimento das capacidades físicas.

    Assim sendo, a especialização deve levar a um conjunto de informações sobre os fatores inerentes ao desenvolvimento da educação e do aprimoramento físico e técnico-tático, como também a outros fatores que complementam o treinamento: preparação psicológica, alimentação, horas de sono, estudos sobre os procedimentos metodológicos, dentre outros.

    Sendo a especialização esportiva uma etapa subseqüente à iniciação esportiva, acreditamos em uma pedagogia que abarque o treinamento específico para levar o atleta à alta performance desportiva. Defendemos, contudo, que no instante em que ocorre a decisão por uma modalidade deve haver diversificação dentro da especialização, isto é, no treinamento; devendo coexistir várias formas ou métodos para ensinar habilidades ou desenvolver as capacidades, oportunizando uma gama de conhecimentos, proporcionando aos jovens praticantes um enriquecimento motriz, evitando a especialização precoce em uma só função no início da especialização. Desta maneira, o pivô, no basquetebol, terá experiências diversas antes da dedicação exclusiva na sua função, tais como dominar muito bem os fundamentos do drible, passes,arremessos de longa distância etc., e, quando necessário, o atleta saberá utilizar esses recursos nas competições.

    No basquetebol, principalmente nos aspectos físicos, técnicos e táticos, enfatiza-se essa pedagogia, a qual diverge nos objetivos e metas em relação à iniciação esportiva. Propomos, para o treinamento físico, o desenvolvimento das capacidades físicas - força, velocidade, resistência, coordenação, flexibilidade - e nos procedimentos pedagógicos utilizados no treinamento propomos a busca do aperfeiçoamento no próprio campo de jogo, procedendo à interligação com a preparação técnica-tática, e fora do campo de jogo, utilizando-se dos aparelhos da sala de musculação, etc.

    No treinamento técnico deve ocorrer o aperfeiçoamento dos fundamentos específicos de cada modalidade. No basquetebol, o passe, o drible, o rebote e o arremesso podem ser treinados com a utilização dos seguintes métodos:

Método de ensino integral das ações motoras técnicas, utilizando-se de exercícios e jogos de forma global;

Método de ensino analítico sintético - o ensino da técnica é realizado por partes;

Método situacional - situações de jogo em 2X2, 3X3, 2X1, 3X2.

    Tais métodos ainda são muito discutidos na literatura especializada do treinamento desportivo, especialmente para os jogos desportivos coletivos; todavia, reiteramos que todos os métodos são relevantes e devem ser utilizados pelos professores/técnicos, e ainda outros métodos podem ser criados, para propiciar aos atletas maior número de informações através de práticas não repetitivas e motivacionais.

    No treinamento tático, busca-se desenvolver os sistemas mais complexos, tanto ofensiva quanto defensivamente, por intermédio das estratégias. Sobre esse assunto, recorremos aos estudos de Garganta (2000), nos quais o autor enfatiza alguns fatores imprescindíveis para o treinamento da tática do basquetebol: a necessidade de analisar a estrutura e a dinâmica interna de cada jogo desportivo coletivo, no sentido de configurar a sua especificidade; e também determinar as linhas de força que permitem moldar o treinamento de acordo com a competição. Em relação a essa análise, busca-se o desenvolvimento complexo dos mais diferentes planos, físico, técnico-tático, aliado às reais condições de competições, nas quais a tática é dependente das competências físicas, técnicas e da filosofia objetivada pelos técnicos, com base no pensamento estratégico. Essa relevância é atribuída à definição de um quadro prévio dos princípios, ações e regras da gestão do jogo que balizem o direcionamento do treinamento e possam regular a competição.

    Outro fator relevante é a crescente importância atribuída à dimensão cognitiva do desenvolvimento do rendimento dos atletas. A relevância dos aspectos cognitivos se dá na medida em que os hábitos de cada jogador voltam-se para a leitura do jogo, evitando, assim, jogadas estereotipadas, que impedem a criatividade nas ações táticas. No basquetebol torna-se importante desenvolver, nos jogadores, competências que transcendam a execução propriamente dita, centrando suas capacidades cognitivas nos princípios das ações que regem o jogo, ou seja, comunicação entre os jogadores, obtenção de ótimos posicionamentos nos espaços vazios e a percepção antecipada das ações dos adversários.

    Há crescente relevância atribuída ao erro, com ocorrência contrastante em relação aos comportamentos desejados que movem a harmonia entre os elementos de uma mesma equipe. Um dos problemas freqüentes, no basquetebol , é quando algum jogador ou grupo de jogadores comete um erro, interferindo no desempenho da equipe. Ora, o pensamento coletivo não pode ser penalizado por erros individuais. Deve-se, então, utilizar o erro para treinar a recuperação defensiva, promover a integração dos jogadores e novamente buscar a exploração dos contra-ataques e elaboração do ataque, partindo da desorganização ocasionada pelo erro até a organização coletiva.

    Há crescente relevância, também, em controlar e verificar a sintonia do discurso do técnico com o percurso da equipe na competição. A relação entre treinador e atleta deve acontecer em um projeto de treinamento-tático, desde o início da preparação até o final das competições, visando à obtenção dos objetivos centrados e destinados ao bom relacionamento entre jogadores e comissão técnica. No que tange à tática, várias são as formas de comunicação - verbal, gestual e visual - nas quais são exauridas todas as possibilidades para adquirir os conhecimentos das estratégias propostas pela comissão técnica. Essas estratégias devem ser direcionadas às vias de acesso de cada jogador, diferenciadas, tendo em vista o princípio da individualidade, no qual um só método poderia comprometer a aprendizagem em um ambiente heterogêneo.

    Com base nas discussões anteriores sobre os procedimentos de desenvolvimento do basquetebol, em uma pedagogia voltada para a etapa de especialização, entendemos que há necessidade de estabelecer uma diferenciação da aprendizagem dos conteúdos durante o processo. Dessa forma, estudaremos a seguir, como se dá, no processo de desenvolvimento, a etapa de especialização no basquetebol e a aplicação dos conteúdos de ensino, haja vista que deve haver uma organização pedagógica dos conteúdos em suas respectivas fases de desenvolvimento.



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