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História do Basquetebol Feminino





 



  Antes de se adentrar ao basquetebol feminino propriamente dito é importante comentar a respeito do papel da mulher na sociedade e é no final do século XIX e início do século XX, que se observam as posições de destaque e importância que a mulher assume em várias áreas distintas. Temos como exemplos Nísia Floresta considerada a primeira feminista brasileira, tendo apenas 22 anos de idade para lidar com o preconceito da época e submissão por parte da classe masculina e Joana Paula Manso, que fundou e dirigiu o primeiro jornal feminino. Na área do esporte temos as irmãs Lenk, campeãs na travessia de São Paulo a nado, e Zilda Ulbrich que fez parte da primeira seleção brasileira de basquetebol e junto com a equipe conquistou vários títulos importantes

    Diante dos aspectos mencionados, para Knijnik (2003: 25) a participação da mulher no esporte foi uma das diversas lutas pela emancipação feminina, pois tinham que lidar com os preconceitos da época. Estes preconceitos eram baseados em argumentos amedrontadores,a masculinização que o esporte poderia causar, alegando que a mulher deixava de ser feminina pelo simples ato do esforço físico, podendo ocasionar o aparecimento de pêlos e músculos masculinos. Outro argumento era de que o esporte poderia enlouquecer a mulher, sendo considerado um sexo frágil, não conseguiriam manter o equilíbrio diante de uma derrota ou vitória (GUEDES, 2009: 12; PFISTER, 2004: 3). Portanto é notório o crescimento das mulheres nos dias atuais, mostrando-se cada vez mais presentes nos campos sociais e o esporte sendo um meio impulsionador para sua liberação.

    Partindo para o basquetebol e analisando seu contexto histórico, percebe-se que é um esporte relativamente novo, com pouco mais de 100 anos de existência. O início do basquetebol feminino se deu em 1892, quando a professora de educação física Senda Bereson do Smith College, adaptou as regras criadas por James Naismith nas suas aulas. A professora Senda testa a nova prática com algumas modificações, pois naquela época o basquetebol era visto como um jogo masculino e que podia masculinizar as mulheres. A partir disto tem-se aos poucos a introdução da modalidade, não existindo semelhanças com o masculino e para exemplificar esta nova prática nas aulas de educação física, as mulheres não podiam bater na mão da adversária ou na bola para tomar posse, só podiam permanecer com posse desta por três segundos, entre outros (GUEDES, 2009: 22-3). Portanto, o basquetebol feminino foi conquistando seu espaço aos poucos apesar dos preconceitos prosseguirem por muitos tempos.

    Em contrapartida, este é um esporte que vem sendo altamente difundido pelo mundo, tanto na versão feminina como na versão masculina (SILVA, ABDALLA e FISBERG, 2007) e atualmente é praticado por mais de 300 milhões de pessoas no mundo inteiro (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BASKETBAL, s/d). Na versão feminina o seu contexto histórico em relação às principais competições tanto nos Jogos Olímpicos como nos Campeonatos Mundiais nota-se diferenças em relação ao masculino em termos de participações e títulos ganhos. Antes de fazer este resgate histórico, é interessante comentar que em 1940 houve o primeiro campeonato entre os estados tendo a seleção paulista como campeã e este foi um passo decisivo para a formação de uma equipe nacional e em seguida a formação da primeira seleção brasileira feminina de basquetebol (GUEDES, 2009: 51).

    Em seu resgate histórico, as mulheres demonstram um país com uma trajetória de conquistas recentes nas Olimpíadas, não foi um processo fácil, pois tiveram grande oposição por parte dos integrantes do Comitê Olímpico Internacional, este órgão não admitia a participação das mulheres nos jogos, demonstrando oposição e preconceito (KNIJNIK, 2003: 24-6). Essa oposição perdurou por muito tempo e quando de fato foi aprovada para os Jogos Olímpicos de 1968 porém a inserção do basquetebol feminino só aconteceu em 1976, quarenta anos depois da inclusão do masculino que foi em 1936 (GUEDES, 2009: 54-5). De acordo com Gitti e De Rose Junior (2005) e De Rose Junior (2005), os dados abaixo no gráfico mostram a comparação das equipes femininas e masculinas que participaram dos jogos olímpicos até sua última edição em 2008 (figura 1).

Figura 1. Número de equipes participantes nos torneios de basquetebol em cada edição de Jogos Olímpicos

    Analisando a figura 1 e fazendo uma comparação entre esses dois gêneros em números de participações, pode se verificar que desde 1936 até 1992, as seleções masculinas predominavam o quadro e a partir de 1996 até 2008, as seleções femininas se igualam ao masculino. Cabe destacar, no entanto, que primeiro torneio feminino só aconteceu em 1976, nos Jogos Olímpicos de Montreal.

    Em termos de conquistas ganhas, os maiores vencedores são EUA e Rússia tanto no feminino como no masculino, dando destaque para supremacia dos EUA com seis medalhas de ouro conquistadas no feminino e treze no masculino.

    O basquetebol feminino brasileiro só começou a jogar em 1992 e depois desta data nunca mais ficou de fora dos jogos, tendo conquistado dois títulos, prata em 1996 e o bronze nas olimpíadas seguintes de 2000 (GITTI e DE ROSE JUNIOR, 2005). Já o masculino conquistou três medalhas olímpicas, todas de bronze, nos Jogos realizados em 1948, 1960 e 1964 (DE ROSE JUNIOR, 2005).

    Partindo para os Campeonatos Mundiais, a participação das seleções femininas se deu em 1953 e a seleção feminina brasileira também se introduziu neste ano e participou de quase todas as edições, apenas não se classificou no ano de 1959, no entanto as seleções masculinas disputaram pela primeira vez em 1950 e a seleção masculina brasileira se introduziu nesta data e não ficou de fora de nenhuma edição. Segundo Gitti, De Rose Junior (2005); De Rose Junior (2003), o gráfico abaixo apresenta a comparação das equipes femininas e masculinas que participaram dos campeonatos mundiais (figura 2).

Figura 2. Número de equipes participantes em cada edição de Campeonato Mundial de Basquetebol realizado pela FIBA

    Diferentemente do quadro dos Jogos Olímpicos, as seleções femininas obtiveram em duas edições a prevalência em participações e o masculino obteve o domínio em sete edições. Em relação às conquistas ganhas, por parte das equipes femininas, continua o predomínio visto nos das Olimpíadas dos EUA e Rússia, sendo que as americanas conquistaram oito medalhas de ouro e as russas seis. Vale ressaltar que as brasileiras na edição de 1994, quebram a hegemonia das americanas e soviéticas, obtendo a primeira medalha de ouro conquistada. Em contrapartida, a seleção masculina brasileira obteve duas medalhas de ouro e entre as equipes masculinas tem destaque a seleção da Iugoslávia sendo campeão por cinco vezes e o interessante é que os EUA, uma grande força do basquetebol mundial e o maior ganhador das competições olímpicas, não mantiveram esta mesma tradição obtendo quatro medalhas de ouro.

    Conforme os dados obtidos por Gitti e De Rose Junior (2005) e De Rose Junior (2003), o gráfico mostra a colocação das seleções brasileiras, fazendo uma comparação entre o feminino e o masculino nos campeonatos mundiais (figura 3).

Figura 3. Comparação entre a classificação final das seleções brasileira masculina e feminina em cada edição de Campeonato Mundial Adulto

    Fazendo uma relação entre as seleções nas dezesseis edições do Campeonato Mundial, a seleção masculina prevalece na frente em colocações, tendo sua melhor classificação nos anos de 1959 e 1963, conquistando o ouro e a sua pior classificação em 2006, chegando ao décimo nono lugar, já a seleção feminina tem sua melhor classificação em 1994, conquistando o ouro e a sua pior atuação em 1959, pois não conseguiram se classificar.

    Assim, tanto nos Jogos Olímpicos como nos Campeonatos Mundiais, houve uma grande evolução tática, técnica e física das jogadoras, além das mudanças de regras para tornar o jogo mais atrativo e dinâmico para o público, houve também um maior número de participantes em ambos os campeonatos.

A bola de basquetebol não segue um padrão no quesito do tamanho tanto de feminino como no masculino. As competições femininas em todas as categorias, o diâmetro tem que variar de 72 a 74 cm e o seu peso entre 510 e 567g, já o masculino em termos de diâmetro e peso são maiores, com 75 a 78 cm de diâmetro e peso variando entre 567 a 650g (FIBA, 2010). Isso porque o basquetebol é um esporte que tem sofrido mais modificações em suas regras, para torná-lo melhor e dinâmico.

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